Após o "Mate de Cumadre", o Patrono participou com Ernesto Fagundes, Airton dos Anjos, Jader Leal e João Bosco Ayala de um momento de prosa e música no "Tradicionalismo: encontro de gerações".
— Estamos cultuando aspectos da cultura gaúcha! — afirmou Paixão Côrtes em tom decidido.
Esta foi o último compromisso da intensa agenda do Patrono da 56 Feira do Livro antes do encerramento.
Este espaço foi criado para que se possa conhecer um pouco mais do gaúcho J. C. Paixão Côrtes. Abrindo a bruaca deste tropeiro cultural, vamos mostrar as vivências e convivências do pesquisador do folclore popular, do radialista, do artista, do Engenheiro Agrônomo, entre outras figuras, que formam a história e as estórias de uma vida dedicada a forjar a identidade da gente gaúcha. Seja bem-vindo à roda de mate em torno do fogo deste galpão! Carlos C. Paixão Côrtes (filho)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Mate de Cumadre em Cuia de Porcelana
No ultimo entardecer da Feira do Livro, foi reconstituido o antigo hábito do Mate de Cumadre o qual era tomado em cuia de porcelana. Paixão Côrtes troxe sua coleção de cuias nas quais foram preparados diversos tipos de mate que eram apreciados pela mulher gaúcha de antigamente. Enriquecido pelas informações do folclorista, as Cumadres do CTG Brasão do Rio Grande de Canoas, devidamente caracterizadas, reconstitiuram as reuniões intimas nas quais eram tomado o mate doce. O público foi convidado a sorver uma cuia do mate doce das Cumadres.
Fotos Carlos Paixão Côrtes
Capas de Livros de Paixão Côrtes
Durante a 56 Feira do Livro de Porto Alegre, no Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo permaneceu, para visitação pública. uma exposição de capas de algumas das publicações de Paixão Côrtes.
Fotos de Carlos Paixão Côrtes
Matraqueando na Feira
O Patrono Paixão Côrtes, anunciando-se com sua matraca, fez questão de deixar em todas as Barracas de Livros uma mensagem de agradecimento. As fotos abaixo registram sua caminhada acompanhada de Marina, sua esposa, e de Ricardo Rocha, seu "anjo".
Fotos Carlos Paixão Côrtes
sábado, 13 de novembro de 2010
Entrevista com o Patrono da Feira do Livro
Qual é a sensação de ser mais uma vez homenageado, agora como patrono da Feira do Livro?
A distinção que me fazem os participantes da Câmara do Livro e os demais livreiros e editoras é muito grande para quem não se considera um escritor, e sim um escrevinhador, ou seja, eu vou à fonte de origem da pesquisa, junto ao povo, registro, fotografo, analiso, escrevo, publico e devolvo ao povo o que é da sua sapiência, da sua vivência anterior ou atual. Na feira, pela primeira vez me parece, estão vindo essas expressões espontâneas de conjunto, de vivenciar os dias atuais que não são coisas do passado para serem cultuadas, nem são símbolos remotos, são vivencias das comunidades atuais. E como o livro não tem idade, nem pelo ou cor, acho que a Feira do Livro é o momento de reencontro com o povo através das próprias manifestações espontâneas, ao lado das erudições dos livros internacionais, dos pensadores dos mais variados setores humanos e tudo isso faz parte de uma única manifestação, que é cultura. Não tem superior nem inferior, não tem mais bonita nem menos bonita, não tem mais rica nem mais pobre, é cultura do povo.
Fragmento da entrevista a Anselmo Cunha dos Santos, com fotos de Carlos Macedo, a qual poderá ser lida na integra no acesso abaixo
Patrono da 56ª Feira do Livro Covida a todos para o "Mate de Comadre" dia 15 de outubro de 2010 às 18:30
15 de novembro: Mate de Comadre em Cuia de Porcelana
MATE DOCE
Texto de: João Carlos D´Ávila Paixão Cortês
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| Foto Ana Fraga |
No último dia da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre - 15 de novembro, acontece o evento "Mate de Comadre em Cuia de Porcelana", às 18h30, no Deck dos Autógrafos, no Cais do Porto. Nele, o Patrono Paixão Côrtes falará sobre a tradição gauchesca de tomar o mate doce em cuia de porcelana.
O público está convidado a participar e levar seu mate para a roda.
MATE DE COMADRE EM CUIA DE PORCELANA
Foto Carlos Paixão Côrtes
Em nosso livro “O Gaúcho – Danças, Trajes e Artesanato”, publicado em 1978, nos atendo às peças artesanais usado no meio social rural gauchesco de outrora, (fins do século XIX primórdios de XX) referentes a certos tipos de cabaça na qual nossas prendas e avoengas serviam uma infusão de “ilex paraguaiense” com água quente, através de uma bomba típica (canudo) de metal, semelhantemente ao mate paraguaio, porém este servido com água fria e denominado de terêrê.
Da nossa matéria editada extraímos o seguinte texto:
“A porcelana ligada à tradição gauchesca tem nas cuias para mate doce, tão ao gosto das mulheres, as peças mais representativas. Assim como muitos objetos de metal dos campeiros e peças de uso pessoal (ponchos, palas), as cuias de porcelana eram produções européias que vinham destinadas aos mercados consumidores das áreas sul-rio-grandenses, argentina e uruguaia, da mesma forma como acontecia com relação aos tecidos dos mais diversos. Isto ocorria em decorrência da estrutura comercial existente anteriormente, nos países sul-americanos e em razão de ausência do espírito industrial fabril de nossa gente nos primórdios de sua formação sócio-cultural, como já fizemos referência ao longo desta obra.
Estas peças, as cuias de porcelana, que hoje ocupam prateleiras de colecionadores e vitrinas de museus, variam de formas e tamanho, embora não excedam a dezessete centímetros de comprimento, com uma capacidade de 80 gramas para erva e com uma boca em forma de três centímetros de diâmetro.
As mais singelas eram estreitas (na sua largura) e com uma alça lembrando uma pequena xícara. As mais requintadas apresentavam um pé torneado e um elemento figurativo mitológico como, por exemplo, um anjo de asas semi-abertas ou então outros símbolos artísticos, geralmente humanos, sustentando o bojo do recipiente, destinado a receber a erva-mate. Aliás, frequentemente, este adorno continha flores em alto relevo, delicadas grinaldas, bordos dourados, etc. Em diversas cuias de porcelana liam-se inscrições como: amizade, saúde, amor, felicidade, etc. que pela sua grafia nos leva a acreditar serem, predominantemente outrora fabricadas na França.
Afora estas cuias antigas, de maior significado utilitário e decorativo, a porcelana atual fabricada no Rio Grande do Sul, com fins mais diversificados, resulta de uma mistura de quartzo de feldspato, barro e energia. Da pasta à modelagem, do cozimento à função dos objetos, do emprego de tintas à terminação, ela está fundamentada na cultura teuto-rio-grandense atual, sem maior vínculo estético, ou artístico à arte folclórica gauchesca propriamente dita”.
Para tais cuias pretéritas, exigiam-se bombas relativamente pequenas, proporcionais à peça com chupeta de ouro, lisas, com discretos anéis ou torneadas, na extensão da própria prata ou metal branco. Nas mais requintadas, via-se ao longo do comprimento ajustado à haste da própria bomba figuras de flores, pássaros fixos ao comprido ou inclusive as iniciais da dona da casa, próprio ao manuseio delicado dos dedos femininos.
Sabe-se também pela orabilidade que o mate traduzia simbolicamente uma mensagem poética muda e por vezes amorosa relacionada ao namoro entre os jovens solteiros ou mesmo na roda das comadres no horário da meia-tarde em diante. Alguns mates se faziam acompanhar de jujos, isto é, ervas medicinais.
Foto Carlos Paixão Côrtes
Assim falavam provincianas do Rio Grande:
Mate com mel – “quero casar contigo”
Mate com açúcar queimado – simpatia
Mate com canela – “só penso em ti”
Mate com açúcar – amizade
Mate frio – desprezo
Mate com sal – “não apareças mais aqui”
Mate com cascas de laranja – “vem buscar-me!”
Mate muito amargo – “chegaste tarde, já tenho um amor”
Mate lavado – “vá tomar mate noutra casa!”
Mate servido com água quente pela bomba – “Desapareça da minha frente”
Mate com leite ou funcho – para amamentar
Mate com marcela – colhida na sexta-feira santa antes do alvorecer é mate santificado, bom para tudo
Mate com quebra-pedra – é bom para as urinas
Mas o mate poderia proporcionar um momento desastroso a um afoito gaúcho conquistador, se o pai da nossa cortejada, considerasse o ato, “um namoro contrariado dos antigamente”.
Assim, o “taita” com habilidade e sutileza botava no mate do pretendido à mão se sua filha, uma folhinha de umbu.
É disenteria imediata!
O gaúcho, então garboso, deixava um rastro ridículo rumo ao mato...
Foto Ana Fraga
A 56ª Feira do Livro que se realiza em Porto Alegre trouxe uma edição de Rosina Duarte com retalhos de memória sob o título “Contos sem Fada”.
A autora no capítulo “mate de mulher” nos brinda com o seguinte texto:
MATEAdoçado com açúcar ou mel, perfumado com canela e jujos (ervas), ou acrescido de leite, o mate das mulheres era um primor de criatividade e uma subversão declarada ao chimarrão (amargo) dos homens. Nem os tradicionais avios eram respeitados, pois a cuia era comumente substituída por canecas de louça.A hora do mate, para as mulheres, era o meio da tarde, quando as lides da casa aliviavam, os filhos estavam na escola ou brincando na rua, e os mari¬dos, trabalhando. Elas se juntavam para conversar, ouvir novelas, fazer traba¬lhos manuais, trocar receitas e atualizar as fofocas.O mate doce nunca vinha só. As mulheres costumavam sentar em roda de uma mesa onde eram servidas, pelo menos, galletas e rapadura de palha. Cucas, broas, bolos e doces caseiros de várias naturezas eram o orgulho das comadres que, ao chegarem de visita, costumavam obsequiar a dona da casa com “‘alguma coisinha boa”.
Foto J. C. Paixão Côrtes
Assim: Verde, Amargo, Mate Amargo, Mate Chimarrão ou somente Chimarrão é bebida típica especialmente servida entre os homens do Rio Grande.
Mate doce, Mate de comadre é bebida servida somente às mulheres gaúchas.
Foto Carlos Paixão Côrtes
Texto de: João Carlos D´Ávila Paixão Cortês
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Governadora condecora Paixão Côrtes e Gilson Dipp
A governadora Yeda Crusius homenageou, nesta quinta-feira (11), no Palácio Piratini, duas personalidades gaúchas que se destacaram no desempenho de suas atividades e tornaram-se merecedores da gratidão, do reconhecimento do Estado e da comunidade gaúcha. Foram contemplados com a outorga da Comenda da Ordem do Ponche Verde, o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp e, com a medalha Simões Lopes Neto, o escritor e folclorista, João Carlos D'Aviva Paixão Côrtes.
"É uma solenidade que representa muito para o nosso Estado, pois significa o reconhecimento do gaúcho. Na cultura, nossa celebração está na expressão autêntica do gaúcho, na figura de Paixão Cortes. No campo da justiça, nosso reconhecimento público a uma atividade desempenhada de forma brilhante pelo Ministro Gilson Dipp, dignificando o judiciário brasileiro", afirmou a governadora.
A medalha Simões Lopes Neto foi instituída por decreto em 1972. É concedida a personalidades que se distinguem por atuação excepcional no campo da cultura, artes, letras, ciências, educação e magistério. É o caso de Paixão Côrtes, ícone da cultura gaúcha, modelo do monumento Laçador, símbolo de Porto Alegre. O folclorista também é o idealizador da Chama Crioula, do Candeeiro Crioulo e idealizador da Semana Farroupilha. "É um momento de júbilo da nossa cultura, justamente porque sempre busquei minha inspiração e formação em Simões Lopes Neto", afirmou Paixão Cortes, emocionado, ao receber a condecoração.
"É uma solenidade que representa muito para o nosso Estado, pois significa o reconhecimento do gaúcho. Na cultura, nossa celebração está na expressão autêntica do gaúcho, na figura de Paixão Cortes. No campo da justiça, nosso reconhecimento público a uma atividade desempenhada de forma brilhante pelo Ministro Gilson Dipp, dignificando o judiciário brasileiro", afirmou a governadora.
A medalha Simões Lopes Neto foi instituída por decreto em 1972. É concedida a personalidades que se distinguem por atuação excepcional no campo da cultura, artes, letras, ciências, educação e magistério. É o caso de Paixão Côrtes, ícone da cultura gaúcha, modelo do monumento Laçador, símbolo de Porto Alegre. O folclorista também é o idealizador da Chama Crioula, do Candeeiro Crioulo e idealizador da Semana Farroupilha. "É um momento de júbilo da nossa cultura, justamente porque sempre busquei minha inspiração e formação em Simões Lopes Neto", afirmou Paixão Cortes, emocionado, ao receber a condecoração.
Por sua vez, Gilson Dipp considerou a iniciativa uma homenagem ao Judiciário brasileiro, uma vez que, seu desempenho como corregedor foi considerado modelar em atividade vulnerável no País. "O gaúcho é comedido em homenagens. O reconhecimento público de uma atividade pouco simpática, significa demonstrar que judiciário brasileiro avançou, através do diálogo, de um trabalho de visibilidade, transparência, adotando medidas concretas que beneficiaram à população", sentenciou.
A Ordem do Poncho Verde foi instituída, também há 38 anos, para homenagear personalidades nacionais e estrangeiras, que por motivos relevantes, seja pela ação ou devotamento à causa do bem comum, da paz, da fraternidade, se tornem dignas de gratidão e reconhecimento do Estado e do povo.
Estiveram presentes à cerimônia secretários estaduais, autoridades e parantes e familiares dos homenageados. Também compareceram ao evento os presidentes da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça.
Estiveram presentes à cerimônia secretários estaduais, autoridades e parantes e familiares dos homenageados. Também compareceram ao evento os presidentes da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça.
Texto de Anamaria Bessil extraido do Portal do Estado do Rio Grande do Sul
Paixão Côrtes e sua esposa Marina entregaram algumas publicações à Governadora Yeda Crusius.
Fotos Carlos Paixão Côrtes
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